segunda-feira, 20 de junho de 2011

Rei Macaco

Rei Macaco

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Sun Wukong em Xiyou yuanzhi (西遊原旨), publicado em 1819.
O Rei Macaco, cujo nome transliterado para o inglês é Sun Wukong, é um dos principais personagens da novela épica clássica chinesa chamada de Jornada ao Oeste (no original 西遊記). Nessa história, ele é companheiro do monge Xuanzang numa viagem para recuperarem escritos (sutras) budistas que estavam na Índia.
Sun Wukong é muito forte (consegue erguer 8,1 toneladas) e veloz (com um salto ele consegue superar uma distância de 54.000 quilômetros). Sun pode se transformar em 72 coisas diferentes tais como animais e objetos; quando se transforma em pessoas, contudo, ele não consegue esconder a cauda. Também é um grande lutador que consegue enfrentar os generais do céu. Cada um dos pelos do seu corpo possui propriedades mágicas, capazes de darem origem a uma duplicata Rei Macaco, assim como várias armas, animais e outros objetos. Ele também é conhecido por comandar os ventos, águas, conjurar círculos protetores contra demônios e congelar humanos, demônios e deuses.[1]

       Nascimento e primeiras façanhas

Sun Wukong nasceu de uma rocha mística formada pelas forças primitivas do caos, localizada na Montanha das Flores e Frutas (transliterado para o inglês como hua guo shan). Após se juntar a um clã de macacos, ele ganhou o respeito dos animais ao descobrir a Caverna da Cortina de Água (shui lian dong) atrás de uma grande cachoeira; o clã fez do local o seu novo lar. Os outros macacos honraram o descobridor e o tornaram rei deles, dando-lhe o título de Měi Hóuwáng (Rei Macaco Bonitão). Mesmo tendo se tornado o mais poderoso da sua espécie, o Rei continuava um mortal. Determinado a encontrar a imortalidade, o rei viajou até a civilização, onde encontrou e se tornou discípulo do patriarca budista-taoísta Bodhi. Ele aprendeu a língua dos homens e muitas formas de viajar.
Bodhi estava relutante em tomar esse novo discípulo que não era humano; mas a tenacidade do Rei Macaco impressionou o patriarca. Nesse momento o animal ganhou o nome de Sun Wukong ("Sun" que aludia a sua origem símia, e "Wukong" que significa alerta do nada). Mais tarde, quando a disposição e a inteligência o tornaram o discípulo favorito do patriarca, Sun aprendeu e foi treinado em várias artes mágicas. Ele recebeu o poder das "72 transformações", podendo mudar sua forma para qualquer pessoa ou objeto. Ele aprendeu a viajar por entre as nuvens, incluindo a técnica chamada de Jīndǒuyún (cambalhota sobre as nuvens), que o fazia cobrir 54.000 km com um único pulo. Finalmente, ele passou a ser capaz de transformar cada um dos 84 000 pêlos do seu corpo em objetos e pessoas, até mesmo duplicatas de si próprio. Sun Wukong sentia-se orgulhoso de seus novos poderes e começou a vangloriar-se junto aos outros discípulos, o que desagradou o patriarca. Bodhi pediu a Sun que fosse embora do templo e antes que partisse, ordenou-lhe que não contasse a ninguém como ganhara seus poderes
De volta a Montanha das Flores e Frutas, Sun Wukong se transformaria num dos mais poderosos e influentes demônios do mundo. Ao procurar uma arma digna de sua pessoa, Sun Wukong mergulhou pelos oceanos e pegou o cajado dourado Ruyi Jingu Bang. O objeto fora usado originariamente por Dà-Yǔ para medir a profundidade dos oceanos e depois se tornou o "Pilar pacificador dos mares", um tesouro deAo Guang, o "Rei Dragão dos Mares Orientais". Pesava 8,1 toneladas e mudava de tamanho bem como podia se multiplar, dependendo dos desejos de seu mestre em uma luta. Quando Sun Wukong se aproximou, o pilar brilhou, indicando que o objeto encontrara seu verdadeiro mestre. Sun Wukong podia carregá-lo sempre consigo e o encolhia ao tamanho de uma agulha e escondia dentro da orelha quando precisava. Os seres marinhos ficaram temerosos com a falta do pilar que controlava as marés e as ondas. Na ofensiva para tomar o pilar, Sun também derrotara os dragões dos quatro mares e os forçara a lhes darem as melhores partes de suas armaduras mágicas, uma cota de malha dourada, uma capa com penas da Fênix (鎖子黃金甲) e botas saltadoras de nuvens(藕絲步雲履 Ǒusībùyúnlǚ). Sun Wukong então desafiou as divindades do Inferno que tentavam tomar sua alma. Ordenado a reencarnar como todos os seres vivos, Sun não só se negou a isso como apagou seu nome do "Livro da Vida e Morte" e de todos os macacos que conhecia. O Rei Dragão e os Cavaleiros do Inferno decidiram pedir a ajuda do Imperador de Jade do Paraís

Destruição no Reino Celestial

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f5/Sun_Wukong_at_Beijing_opera_-_Journey_to_the_West.jpg/200px-Sun_Wukong_at_Beijing_opera_-_Journey_to_the_West.jpg

Sun Wukong com a aparência dada numa ópera em Beijing
Na esperança de que uma promoção à divindade satisfizesse o Rei Macaco, o Imperador de Jadeconvidou-o ao Paraíso. O animal esperava ser honrado e tomar o lugar junto aos deuses, tornando-se igualmente um. Contudo, foi-lhe dado o cargo de Protetor dos Cavalos, com a obrigação de vigiar os estábulos do paraíso, o posto mais baixo entre os deuses. Sun Wukong se rebelou contra isso e proclamou a si mesmo o "Grande Sábio, Igual no Paraíso" e aliou-se aos mais poderosos demônios da Terra. Em sua vingança contra os deuses, ele libertou os cavalos. Como as tentativas de deterem o Rei Macaco fracassaram, os deuses foram forçados a reconhecer o seu título autonomeado; contudo, eles continuaram a impedi-lo de entrar nos Jardins Celestiais. Ao saber que fora excluído do banquete real oferecido aos principais deuses, Sun Wukong se indignou novamente e voltou a desafiar os celestiais. Após roubar os pêssegos da imortalidade de Xi Wangmu, as pílulas da longevidade de Lao Tzu e o vinho real do Imperador de Jade, o Rei Macaco fugiu e voltou ao seu reino para preparar a rebelião.
Sun Wukong mais tarde derrotaria o Exército dos Deuses que contava com 100 000 guerreiros celestiais - cada uma das lutas resultante num acontecimento cósmico, incluindo o surgimento das 28 constelações, quatro Reis Celestiais e Nezha, um pequeno deus que se mostrou digno, igual ou melhor que Erlang Shen, que se apresentava como o maior dos Generais do Céu. Nezha era filho deLi Jiang Jun. Na sequência, com equipes de taoístas e budistas unindo esforços, Sun Wukong foi capturado. Após várias tentativas fracassadas de execução, Sun Wukong foi feito prisioneiro num caldeirão de oito trigramas para ser destilado dentro de um elixir. Após 49 dias, o calderão foi aberto e Sun Wukong saltou de dentro, mais forte do que nunca. Ele agora podia reconhecer o mal sob qualquer forma atráves do seu huǒyǎn-jīnjīng (火眼金睛), um olho que também o deixara com fraqueza à fumaça.

Prisioneiro

Sem mais opções, o Imperador de Jade e as autoridades do Céu apelaram a Buda, que chegou do seu Templo do Ocidente. Buda apostou com Sun Wukong que o macaco não seria capaz de escapar de sua palma. Sun Wukong, confiante na sua capacidade de saltar grandes distâncias, concordou. Ele então saltou e chegou aos confins do mundo em segundos. Ali nada era visível a não ser cinco pilares, que fizeram com que Wukong acreditasse ter chegado ao Fim dos Céus. Para marcar sua vitória, ele inscreveu nos pilares a frase "o grande sábio igual no Céu" (em outras versões, ele urinara nos pilares). Porém, para sua surpresa, os cinco pilares se revelaram como sendo na verdade os cinco dedos da mão de Buda. Quando Wukong tentou fugir, Buda colocou sua mão dentro de uma montanha. O sábio então selou o local com uma folha de papel talismã na qual estava escrito o mantra Om Mani Padme Hum em letras douradas, que fizeram com que Sun Wukong permanecesse aprisionado por cinco séculos

Discípulo de Xuanzang

Quinhentos anos depois, o Bodisatva Guanyin procurou por discípulos que pudessem proteger peregrinos do Leste que partiriam para uma jornada à Índia para recuperarem sutras budistas. Ao ouvir isso, Sun Wukong ofereceu-se como um dos protetores dos peregrinos, sob a liderança de Xuanzang, um monge da Dinastia Tang, em troca de sua liberdade. Guanyin sabia que o macaco poderia sair do controle e então deu a Xuanzang um presente de Buda: uma bandana mágica que uma vez colocada em Sun Wukong, não poderia ser removida. A colocação na cabeça do macaco permitia causar-lhe grande dor ao ser emitido um canto. Mas também lhe deu três novas habilidades, que poderiam ser usadas em emergências mortais. Sob o controle de Xuanzang, Sun Wukong seguiu para a Jornada ao Oeste.
Sun Wukong manteve-se fiel a Xuanzang durante toda a jornada a Índia. Eles se juntaram a "Pigsy" (猪八戒 Zhu Bajie) e "Sandy" (沙悟浄Sha Wujing), que queriam perdão para seus crimes. Mais tarde foi revelado que o cavalo do monge era um príncipe dragão. A segurança de Xuanzang era frequentemente ameaçada por demônios e outros seres sobrenaturais que queriam devorar as carnes dos homens pois acreditavam que com isso ganhariam longevidade. Encontravam também bandidos. Sun Wukong agia como guarda-costas e tinha livre acesso aos poderes celestiais para combater as ameaças. O grupo enfrentou uma série de oitenta e uma tribulações antes de completar a missão e retornar são e salvo à China. Ali, Sun Wukong foi reconhecido pelos budistas por seus serviços e esforços.[1]

Celebrações e festivais

O Festival Sun Wukong é comemorado no décimo-sexto dia do oitavo mês lunar do calendário chinês, onde são representados os sofrimentos do Rei Macaco, tais como andar em brasas.
Em Hong Kong o festival é comemorado no Templo Budista em Sau Mau Ping, onde existe um santuário dedicado ao Rei Macaco.

Política

Mao Zedong usou Sun Wukong como um modelo de conduta e em seus discursos falava do bom exemplo do Rei Macaco, citando "seu destemor e trabalho realizado com o objetivo de extrair a pobreza da China".[2]

Influências

§  As lendas sobre Sun Wukong sofreram mudanças e variações dentro da cultura popular chinesa. A passagem com Buda e os "Pilares" é um exemplo principal e não aparecia até que o Budismo fosse introduzido na China durante a Dinastia Han. Várias lendas com Sun Wukong remontam a antes da história escrita da China. Foram mudadas e adaptadas à religião chinesa de muitas regiões. A divindade hindu Hanuman do Ramayana é considerada por alguns como a inspiração para Sun Wukong.[3]
§  A ópera chinesa de Jamie Hewlett e Damon Albarn "Monkey: Journey to the West" é baseada na lenda do Rei Macaco. Os dois foram contratados pela BBC para produzirem uma animação de dois minutos para promoção da cobertura das Olimpíadas de Pequim de 2008, com personagens que mostrariam as diversas modalidades esportivas em disputa.
§  O jogo Enslaved:Odyssey to the West, lançado em 2010 para Playstation 3 e XBox 360, tem sua história livremente baseada no romance mitológico chinês "Jornada ao Oeste" (o mesmo que inspirou a série de animação "Dragon Ball"), sobre a lenda do Rei Macaco - por isso o nome Monkey, de um dos protagonistas.
§  Alguns acadêmicos acreditam que esse personagem foi o primeiro discípulo de Xuan Zang, Shi Bantuo.[4]
§  Sun Wukong é protagonista em Journey to the West com a tradução para o inglês de Arthur Waley, chamada Monkey. Há também um programa de televisão japonês chamado Monkey, sobre a história.
§  No livro The Shaolin Monastery (2008), da Universidade de Tel Aviv, o professor Meir Shahar declara que Sun influenciou a lenda sobre as origens de métodos pessoais usados nos Monastérios Shaolin. A lenda tomaria lugar na Rebelião dos Turbantes Vermelhos ocorrida naDinastia Yuan. Bandidos cercaram o monastério que foi salvo pela ação de um humilde cozinheiro. Ele salta para dentro de um forno e emerge como um gigantesco monstro cujo tamanho era equivalente a distância da Montanha Cantora com a Montanha Shaoshi (cerca de oito quilometros). Os bandidos fugiram ao avistá-lo. Os monges Shaolin mais tarde acreditaram que o cozinheiro era a divindade guardiã do lugar, Vajrapani, disfarçada. Shahar comparou a metamorfose do serviçal à capacidade de transformação de Sun Wukong e de seu cajado, que podia alcançar gigantescas proporções.[5]
§  Son Goku (em japonês: 悟空 Son Gokuu?, também conhecido apenas como Goku) principal protagonista da franquia Dragon Ballcriada por Akira Toriyama, foi inspirada em Sun Wukong.

[editar]Nomes e títulos

Sun Wukong (孫悟空) é conhecido / pronunciado como Suen Ng Hung em cantonês, Son Oh Gong em coreano, Tôn Ngộ Không emvietnamita, Son Gokū em japonês e Sun Go Kong em indonésio (derivado de Hakka) e Sun Wukong em cambojano (transliterações em inglês).
Lista (transliteração em inglês):
Shí Hóu (石猴)
Significa "macaco da pedra". Referência a sua essência física, nascido de uma rocha após uma incubação de milênios nas Montanhas Floridas/Montanhas das Flores e Frutas.
Měi Hóuwáng (美猴王)
Significa "Rei Macaco Bonitão". O adjetivo Měi significa "bonito, belo, boa aparência"; também significa "satisfeito consigo mesmo", referindo-se ao ego.
Sūn Wùkōng (孫悟空)
É o nome dado pelo seu primeiro mestre, Patriarca Bodhi.O prenome Sūn refere-se a macaco, que também são chamados de húsūn (猢猻), e pode significar macaquices. O segundo nome sūn () refere-se a animal O nome Wùkōng significa alertado para o nada. É pronunciado em japonês como Son Gokū e ficou conhecido no Brasil com a série Dragonball.
Bìmǎwēn (弼馬)
Título do guardião dos cavalos do paraiso, de bìmǎwēn (避馬瘟); O título foi dado pelo Imperador de Jade quando o Rei Macaco entrou pela primeira vez no Céu. A ele foi prometido uma boa posição, mas esse cargo era o de menos importância. O título bìmǎwēn foi usado pelos seus inimigos para provocá-lo.
Qítiān Dàshèng (齊天大聖)
Significa "Grande Sábio, Igual no Paraíso". Wùkōng tomou esse título sugerido por um de seus amigos demônios. É pronunciado em japonês como seiten-taisei. O título foi mantido pelo Imperador de Jade que lhe deu a responsabilidade de guardar os pêssegos do jardim real, forma de manter o macaco ocupado e evitar problemas.
Xíngzhě (行者)
Significa "ascético", uma pessoa áustera devido a religiosidade. Xuanzang chama Wukong Sūn-xíngzhě quando o aceita em sua companhia. É pronunciado em japonês como gyōja.
Dòu-zhànshèng-fó (鬥戰勝佛)
"Combatente Vitorioso de Buda". Wukong recebeu esse nome dado pelos budistas em agradecimento a seus serviços durante a Jornada ao Oeste. O nome é mencionado durante uma tradicional cerimônia budista chinesa.
O Rei Macaco também recebeu nomes variados em outras novelas, não mencionadas na obra sobre a jornada:
§  Kâu-chê-thian (猴齊天) (Taiwan): "Macaco, Igual no Céu".
§  Maa5 lau1 zing1 (馬騮精) em cantonês (Hong Kong e Guangdong): "Macaco Duende" (dito pelos inimigos).

historias das artes marciais

História das artes marciais chinesas
Alega-se que a maioria das artes marciais chinesas e algumas artes marciais japonesas são originárias dos ensinamentos de Bodhidharma, um monge indiano que viveu alguns anos no Templo Shaolin (ummosteiro budista) durante sua visita à China no século VI A.C. Estudiosos consideram essa alegação com considerável ceticismo, já que notas históricas e a arqueologia moderna relatam origens mais antigas de algumas técnicas e escolas chinesas. Sabe se hoje, que o histórico de guerras na china conta seu início há aproximadamente cinco mil anos.
De qualquer forma, o Templo Shaolin, localizado na província de Henan, próximo à cidade de Dengfeng, conta com séculos de tradição fomentando as artes marciais, já que o templo proporcionou abrigo para artistas marciais das mais variadas técnicas, provenientes de toda a China. No mundo todo, as artes marciais são muito praticadas e embora ainda tenham o seu caráter marcial, hoje em dia o seu desenvolvimento tem se voltado ao esporte de competição o que tem ajudado no crescimento da prática e maior aceitação por parte das autoridades.
Não se pode negar a forte influência dos estilos internos de wudang, famosa montanha onde existem os templos dos mestres taoístas. Pouco conhecido no ocidente, ainda um pouco fechado até mesmo na China, mas de uma cultura e riqueza ímpar. Atualmente são feitos esforços para tornar o wudang tão popular quanto o shaolin. Os estilos de Tai Chi Chuanxing yi quan e baguazhang entre outros nasceram praticamente em wudang, o centro do kung fu interno onde o qi gong e a meditação são o forte em seu treinamento. As pessoas falam muito de shaolin devido a sua fama e popularidade, mas não conhecem o centro dos monges e guerreiros Wudang que influenciaram as linhas internas do kung fu chinês.
Estilos de artes marciais chinesas
Centenas de diferentes estilos de artes marciais chinesas foram desenvolvidas nos últimos 2.000 anos. Diversos estilos distintos traziam seus próprios conjuntos de técnicas e idéias. Há também diversos temas comuns entre estilos, o que levou muitos a caracterizá-los como pertencentes a "famílias" (, jiā) de artes marciais. Há estilos que imitam movimentos de animais. Há estilos que reúnem inspiração de diversas filosofias chinesas. Alguns estilos se concentram totalmente na crença de controlar a energia QiChi ou Ki, enquanto outros focam totalmente competições e exibições. Muitos estilos, também, fazem uso de um vasto arsenal de armas chinesas. Para uma lista de estilos, veja Lista de artes marciais chinesas.
As artes marciais chinesas podem ser divididas em duas grandes categorias: externas e internas. A diferença está em que tipo de treinamento seu foco principal compreende, mesmo que a maioria dos estilos deveria conter ambos elementos internos e externos, na prática isto não se revela, cada um tende a se concentrar em um dos pólos, devido a dificuldade de entender o que seja interno.
Os estilos externos podem ainda ser divididos entre do norte e do sul, se referindo a que parte da China que os estilos vieram (utilizando Rio Yangtze, ou Chang Jiang, como referência).
Estilos externos (外家 wài jiā)
Estes estilos são o que a maioria das pessoas associa com as artes marciais chinesas. Os estilos são geralmente rápidos e explosivos, com foco na força física e agilidade.
Estilos externos podem ser tanto os estilos tradicionais, que focam na aplicação e na luta, como também os estilos modernos, adaptados para competições e exercícios. Exemplos de estilos externos são Wing Chun, que enfatiza socos e bloqueios curtos, Shaolin Quan, com seus ataques explosivos e chutes altos que se parecem com o Tae Kwon Do coreano, e também muitos estilos inspirados por movimentos de animais. Não podemos esquecer das técnicas de Shuaijiao técnicas de projeções e quedas, e do chin-na técnicas de torções e imobilizações.
Estilos externos são iniciados com um treinamento de força muscular, velocidade e aplicação, e geralmente integram conhecimentos deqigong nos treinamentos avançados, depois que o nível físico desejado já tenha sido alcançado.
Estilos internos (內家 nèi jiā)
Estilos internos focalizam primariamente na prática do que consideram como elementos internos, como consciência do espírito, da mente e do Nei Gong (potencial interno). Alguns praticantes de estilo interno dizem que a diferença entre interno e externo é principalmente a distinção do interior e exterior do corpo. A razão para o nome "interno", de acordo com as escolas, é que há um foco nos aspectos internos, desenvolvimento do Chi ou energia vital, já no início do treinamento. Uma vez apreendidas as relações internas, elas são aplicadas externamente pelo estilo em questão.
Devido ao longo período que os iniciantes são postos a trabalhar nos princípios básicos das escolas internas e, talvez, devido à predominância recentemente de diversas escolas "New Age" ocidentais (que são criticadas pelos "conservadores" por enfatizar a filosofia, deixando de lado o treinamento intenso), várias pessoas passaram a pensar que tais estilos não oferecem o treinamento físico necessário.
Nas escolas conservadoras, entretanto, muito tempo é reservado ao trabalho físico básico, como por exemplo a "postura da árvore" (Zhan Zhuang), fortalecimento do corpo, além posibilidade do uso de armas em nível avançado, que podem conter exigências de coordenação extremamente sofisticadas. Além disso, vários estilos internos utilizam treinamentos em duplas, como por exemplo, o Tui Shou.
Os movimentos da maioria dos estilos internos são executadas lentamente, embora alguns também incluam movimentos repentinamente explosivos, como aqueles do I-ChuanHsing-I ChuanTai Chi Chuan estilo Chen e Pa Kua Chang. É bem verdade que em toda história bem poucas pessoas dominaram verdadeiramente esta classe de estilos, na atualidade é muito raro encontrar um mestre de profundo conhecimento no Neijia, quanto mais variedades de técnicas e estilos se treina pior a qualidade de quem busca aperfeiçomento nos estilos internos, mas sua base pode se relacionar tranqüilamente com os estilos de sua família, desde que ensinados corretamente.
O Neijia é uma forma de Arte Marcial ampla que integra muitos sistemas e que tem um caráter simbólico. Cada técnica, movimento e treinamento representa algo mais profundo da natureza do homem e do universo. Filosoficamente mantém seus valores atemporais (justiça, ética sabedoria,...) unidos ao aspecto marcial, deixando de ser apenas um conjunto de técnicas de combate. Quem trilha um caminho de valor, naturalmente se harmoniza com a vida e com o meio.